Antologia da Aviação Naval Nº 7 – Boeing Model 256

Dando continuidade a nossa antologia da aviação naval,  tratamos de  uma aeronave clássica e nas cores da nossa Aviação Naval. Falo do Boeing 256 (Versão de Exportação do F4B-4).

O Avião

Em 1928 a Boeing iniciou os estudos para construir uma aeronave de caça que pudesse substituir os tipos da empresa em operação na Marinha Americana (Os caças Boeing F2B e F3B), estes estudos consolidaram-se na iniciativa privada de construir um pequeno biplano com a fuselagem semi-monocoque, conhecido como model 83.

Planta do Boeing P-12E do USAAC (Equivalente ao Boeing F4B3)

O design foi tão acertado e o avião voava tão bem, que logo a Marinha Americana encomendou 27 exemplares de uma versão aperfeiçoada que foi chamada de F4B1. O desempenho e a manobrabilidade chamaram a atenção do USAAC que também adotou o pequeno avião como o seu caça padrão (chamado de P-12) durante os anos de 1930.

A família P-12/F4B ficou em operação de 1930 à 1942 nos EUA, sendo desenvolvidas diferentes versões
ao longo dos anos, sendo as mais numerosas as variantes P-12E (do USAAC) e F4B4 (da Marinha). Foram produzidos mais de 500 unidades que operaram como caça e nos anos finais em serviço, como treinadores avançados e aeronaves de instrução no solo para mecânicos. Apesar dessa grande produção para o tempo de paz e considerando os anos da grande depressão econômica, por conta da crise de 1929. O P-12/F4B foi até a II Guerra Mundial, o avião militar mais produzido nos EUA no período entre-guerras. Apesar disso a exportação da família foi tímida, sendo que o único operador estrangeiro efetivo do aparelho foi o Brasil.

O Model 256 na Aviação Naval

A aquisição desses aviões por parte do governo Getúlio Vargas, representou um salto de qualidade para a Aviação Naval e a Av. Militar, pois foram comprados para o conflito de 1932 contra os Paulistas revoltosos.

Boeing 256 (F4B4) nas cores da AN-MB, notem a insignia na forma de um falcão e a chave de arranque do motor posicionada.

Durante essa guerra, ficou patente a incapacidade das nossas forças armadas em um combate aéreo, operando com tipos inadequados ou obsoletos (como o vetor de caça Vought O2U Corsário da Av. Naval ou então o Nieuport Delage NiD-72C-1 da aviação militar), considerando a fidelidade da Marinha com o governo durante a revolução de 1932, a gestão Getúlio Vargas comprou direto da fábrica Boeing um lote do Model 256 (Idênticos aos Boeing F4B4 da US Navy, a última versão de produção). A aquisição destes aviões justificava-se por conta da Revolução e do desenrolar dos acontecimentos entre a Bolívia e o Paraguai que culminaram na Guerra do Chaco.

Para a sorte dos revoltosos esses aviões não chegaram a tempo de participar do conflito, sendo posteriormente divididos entre a Aviação Naval e a Aviação do Exército, gerando uma rusga entre as duas armas que existe até hoje com a “herdeira” FAB. Assim dos 14 exemplares encomendados nos EUA oito foram para o Exército e os demais para Av. Naval. Estas máquinas foram na Marinha matriculadas de C1B-33 à C1B-38, sendo que a designação na Marinha do tipo era C1B (C=Caça 1=1º modelo B=Boeing), os F4B4 da Marinha ficaram baseados todos na Base Aérea do Galeão de 1932 à 1941.

Dois oficiais desconhecidos posando junto com um Model 256 (1C3)…

Com exceção de alguns meses em 1932/33 em que ficaram baseados em Ladário patrulhando a fronteira do Brasil com o Paraguai por conta da Guerra do Chaco.

Graças as habilidades acrobáticas dos F4B4, a marinha montou uma pequena esquadrilha de demonstração aérea. Equipada com três aeronaves, pilotadas pelos Cap. de Corveta Djalma Fontes Cordovil Petit, Capitão-Tenente Lauro Oriano Menescal e Capitão-Tenente José Kalh Filho. Essa esquadrilha logo chamou a atenção pelas manobras realizadas, sendo que em alguns casos os aviões eram presos por cordas!!!

Os três malucos que voavam com os aviões presos por cordas…

A esquadrilha ganhou notoriedade pública com excursões pela Argentina e pelo Uruguai, sendo que no primeiro país o impacto das apresentações foi tão contundente, que o congresso argentino aprovou o plano de modernização

Três 256 sobrevoando o litoral do Rio de Janeiro em meados da década de 30.

da Força Aérea do Exército Argentino e da Marinha desse país. A “esquadrilha” também escoltou o Lockheed L-12 Electra do Presidente Vargas em suas viagens, bem como o grande dirigível Graff Zeppelin em sua chegada no rio em 1937. As duas aeronaves remanescentes foram passadas para a FAB em 1941.

O Modelo:

O meu modelo de papel é do afamado editor Der Kampffleiger originalmente nas escalas 1/48 e 1/72. É vendido na ecardmodels.com na forma de um pack em que se inclui a versão da Marinha. É um típico kit desse editor, com boas texturas, formers precisos e um interior razoavelmente detalhado, perfeito para a escala 1/100.

Antologia da Aviação Naval – Vol. 6 – Fairey IIID “Santa Cruz”

O nosso sexto volume da Antologia da Aviação Naval, traz um artigo já publicado no Blog sobre o notável scout naval inglês do período entre-guerras, o Fairey IIID, e da aventura particular de Portugal em embretar-se numa aventura aérea em plena década de 20.

O Avião:

Muita gente tem uma tendência, mesmo no Brasil em achar que Charles Lindenberg foi o cara que efetivamente conseguiu cruzar o Atlântico pela primeira vez, não desmerecendo, o feito do americano, o fato é que ele foi o primeiro a fazer em um vôo “non stop” a viagem da América do Norte a Europa em 1927, porém os primeiros mesmos a cruzar o Atlântico, foram o tenente Sacadura Cabral e o almirante Gago Coutinho em 1922.

III
A aventura…

As figuras, Gago Coutinho, morreu velho em 1959, Sacadura Cabral desapareceu no Mar do Norte em 1924, nunca foi achado o seu cadáver...

O Almirante Gago Coutinho, foi um grande geógrafo, responsável por muitas cartas modernas de territórios inóspitos na África e na Ásia quando eram possessões portuguesas, inventou entre outras coisas o sextante moderno de navegação, utilizado até hoje. Com esta invenção eles realizaram o vôo histórico, navegando pelas estrelas e pelo sol.

O Lusitânia decolando da Foz do Tejo em 30 de março de 1922, note a Torre de Belém ao fundo…

O primeiro Fairey IIID preparado para o vôo foi batizado de “Lusitânia”, esse avião foi perdido na primeira parte do trajeto, este Fairey tinha as asas alongadas para realizar o tento, depois os dois aviadores utilizaram mais um Fairey, o “F-401″ que também foi perdido em um acidente. O lusitânia se arrebentou nos rochedos de São Pedro e o “F-401″ em Fernando de Noronha após uma pane seca, com o “Lusitânia” foi feita a maior parte da viagem.

Com o acidente do segundo IIID, a Marinha Portuguesa despachou um terceiro batizado de “Santa Cruz” que fez o trecho final da viagem pelo litoral Brasileiro, dando às caras no Rio de Janeiro. Este avião encontra-se lindamente preservado no Museu da Marinha em Lisboa.

O Santa Cruz preservado, é impressionante a qualidade de conservação, 98% do avião é original.

Ao contrário de nós, que simplesmente deixamos durante muito tempo para trás a epopéia de João de Barros e o SM-55 “Jahú” que foi outro pioneiro da travessia do Atlântico, os portugueses reverenciam essas duas grandes personalidades, com belos monumentos e na sua numismática…

Selo postal português mostrando o Santa Cruz, que ficou mais famoso por ter terminado o trajeto, embora o Lusitânia foi o maior herói…

Cédula de 20 escudos (antes da implantação do Euro)

Monumento alusivo ao grande feito

Falando um pouco sobre o avião, o Fairey IIID foi ainda desenvolvido durante a I Guerra Mundial, como um provável substituto do Short 184, infelizmente este chegou tarde demais para participar do conflito, de modo que acabou entrando em serviço na FAA e na RAF no início da década de 20. Suas boas caracteristicas de vôo, uma célula quase modular e a possibilidade de intercambiar os flutuadores com trens de pouso, permitiram que a Fairey fosse desenvolvendo versões cada vez mais competitivas, sendo que as versões D e F foram exportadas para vários países com diferentes plantas motrizes. Um desenvolvimento da IIIF, o Fairey Gordon foi usado pela nossa Aviação Naval de 1932 à 1940, mas isso já é outra história…

O Modelo:

O modelo montado foi repintado por mim no Corel Draw X3 e está a venda na Ecardmodels , aqui. Foi projetado por Jim Fairges da pequena mas muita ativa firma Lad ‘N’ Dad, representa muito bem os Fairey IIID e F, o modelo original estava nas cores do Serviço Aéreo Naval Australiano originalmente, tudo que fiz foi repintar nas cores da Armada Portuguesa, detalhei a montagem dele em vários fóruns como no do CCCP, Panzer Model Forum, Papermodelers.com e Modelismo na Net

Adoro montar biplanos, e eles quando finalizados chamam muito a atenção, aqui, tem um PaP da montagem do Fairey IIID, espero que inspire os amigos modelistas a montarem os seus próprios trabalhos. Até a próxima.

Antologia da Aviação Naval Vol. 5 – North American FJ-1 Fury

Dando continuidade a nossa antologia  , e focando no momento em aeronaves raras e incomuns, vamos atacar dessa vez num assunto do imediato pós II Guerra Mundial, o primeiro caça a jato naval operacional da história, que curiosamente não é um Grumman, nas sim um produto da North American Aviation: O FJ-1 Fury.Zoom in (real dimensions: 800 x 590)Imagem

Os estudos para a construção de um caça a jato, baseado no famoso P-51 Mustang, começaram em 1943, o chamado “Jet Mustang”, deveria ter quatro pequenos tubojatos centrifugos Westinghouse no encastramento das asas, desses estudos que após muitas modificações acabaram derivando-se no XP-86 (o famoso Sabre) e no FJ-1. O USAAC permitiu a NA que empregasse no seu protótipo asas enflechadas, porém a Marinha não o permitiu no Fury, o resultado disso é que a Força Aérea dos EUA teve um dos mais notáveis aviões de combate dos anos 50 e a Marinha teve uma aeronave mediocre em todos os aspectos, inclusive perigosa para operar em porta-aviões.

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A produção encomendada de 100 unidades, com o fim da guerra acabou sendo reduzida a construção de 30 aeronaves em 1947 que entraram em serviço no esquadrão VF-5A operando no USS Boxer por um curto período de tempo. Coube ao Fury a distinção de fazer o primeiro pouso e decolagem de um avião a jato operacional em um Porta-Aviões, além de partircipar na corrida aérea Bendix em 1948 e conseguir na categoria jatos os dois primeiros lugares. Tirando esses dois fatos, sua carreira foi curta na marinha, tendo sido encerrada em 1950 com o advento do Grumman F9F Phanter e o MD F2H Banshee, produzidos em larga escala.

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Imagem

A semelhança com o Mustang é evidente, nas asas que são identicas e no canopy…

O modelo:

O Fj-1 Escolhido é do editor Fiddlers Green e foi projetado pelo genial Rob Carleen, não tem formers mas é bem preciso, ofertando ao final um modelo bem interessante. Os únicos extras, foram a adição da antena de rádio e obviamente a redução do modelo para a 1/100 (ele estava na escala WSAN padrão da FG)

Até o próximo aporte da Antologia!

Antologia da Aviação Naval Vol.4 – Douglas F5D-1 Skylancer

Continuando com a nossa antologia, vamos nesse quarto volume, mostrar um belo avião, desenvolvido para a Marinha dos EUA nos anos 50, como um segundo desenvolvimento do clássico Douglas F4D Skyray, na função de caça supersônico de defesa da frota, falamos dessa vez do incomum Douglas F5D Skylancer, que acabou não sendo produzido em massa.

O Avião:

O Skylancer surgiu na segunda metade dos anos 50, originalmente como um desenvolvimento avançado do Douglas Skyray, a intenção era criar uma aeronave supersônica que corrigisse as falhas do F4D, aproveitando as suas melhores características de vôo. Por essa época a Marinha dos EUA estava buscando um caça supersônico de superioridade aérea para a defesa da Frota, e estabeleceu uma concorrência para isso.

Apesar de promissor, o F5D perdeu a concorrência que a Marinha estabeleceu, para o Vought F8U Crusader, detentor de características avançadas de vôo, com uma asa pivotada variando o ângulo de incidência para uma melhor aproximação no pouso em porta-aviões.

Assim as cinco aeronaves de pré-serie continuaram servindo a vários programas de teste da Marinha dos EUA até serem transferidas para a NASA nos anos 60, que as utilizou em pesquisas supersônicas e no programa Dyna-SOAR, o envelope dimensional do F5D era muito semelhante a desse STS, e nessa função o F5D simulava as situações de reentrada da nave na Atmosfera em missões abortadas ou em situações de emergência.

Na NASA os F5D foram usados até meados dos anos 70, quando foram finalmente aposentados.

General characteristics

Crew: 1
Length: 53 ft 9¾ in (16.40 m)
Wingspan: 33 ft 6 in (10.21 m)
Height: 14 ft 10 in (4.52 m)
Wing area: 557 ft² (51.7 m²)
Empty weight: 17,444 lb (7,912 kg)
Loaded weight: 24,445 lb (11,088 kg)
Max. takeoff weight: 28,072 lb (12,733 kg)
Powerplant: 1 × Pratt & Whitney J57-P-8 turbojet
Dry thrust: 10,200 lbf (45 kN)
Thrust with afterburner: 16,000 lbf (71 kN)

Performance

Maximum speed: 990 mph (860 kn, 1,590 km/h, Mach 1.48)
Range: 1,335 mi (1,160 nmi, 2,148 km)
Service ceiling: 57,500 ft (17,500 m)
Rate of climb: 20,730 ft/min (105.3 m/s)
Wing loading: 43.9 lb/ft² (214 kg/m²)
Thrust/weight: 0.65

Armament

Guns: 4 × 20 mm (0.79 in) cannon
Rockets: 72 × 2 in (51 mm) rockets
Missiles:
4 × AIM-9 Sidewinder or
2 × AIM-7B Sparrow

O Modelo:

Este extremamente interessante modelo vem do Stahlhart Papercraft, e acreditem meus amigos, ele é gratuito, foi acho que o primeiro modelo que Chris Stahl liberou para download, ele criou um tipo de modelo baseado nos kits da Fiddlers Green, mas com muitos melhoramentos, e excelentes texturas, tornando uma réplica muito convincente. O modelo originalmente está na escala 1/60 (WSAM), mas apenas reduzi para a 1/100 e aí foi só alegria.

O meu modelo representa uma das máquinas da NASA utilizadas no programa Dyna SOAR, esse exemplar em particular foi pilotado por Neil Armstrong (o primeiro homem a pisar na Lua em 1969).

Antologia da Aviação Naval Vol. 3 – Yokosuka E14Y1 “Gleen”

O modelo que apresento neste 3º volume é um assunto muito interessante, pois representa um tipo de aeronave usada exclusivamente pela Marinha Imperial Japonesa durante os anos da II Guerra Mundial (1939-1945) e que detém a singularidade de ser a única máquina a ter bombardeado o território continental dos Estados Unidos em 1942.

O Avião:

Esse bichano relativamente desconhecido, foi um dos muitos hidro-aviões japoneses projetados para serem lançados de submarinos (especificamente os da classe B1 (I-15), este pequeno avião era todo desmontado ficando em um compartimento na torre dessa classe de submarino ( que tinha 108 metros de comprimento e pesava 2600 toneladas – um dos maiores operados pelo Japão até a introdução da classe I-400).

A Marinha Imperial Japonesa, ao contrário de outras marinhas usaram extensivamente o conceito do submarino equipado com aviões de reconhecimento na II Guerra Mundial, sendo que seus submarinos usarem esse tipo de Hidroavião pra vários tipos de reconhecimentos furtivos, missões secretas e até mesmo recolhimento de agentes. A mais famosa ação do E14Y foi o bombardeiro de uma floresta no Oregon em 1942 na tentativa de criar um incêndio florestal, esta ocasião foi a única vez que a parte continental dos Estados Unidos sofreu um bombardeiro aéreo em sua história (lançado pelo submarino I-25).

No entanto, antes disso o Gleen do submarino I-36 foi utilizado para reconhecimento furtivo horas antes do ataque a Pearl Harbor, na tentativa de localizar os porta-aviões da forta do pacífico, em Pearl ou nas proximidades.

Este pequeno monoplano de dois lugares, foi desenvolvido em 1938 para substituir os biplanos E9W que serviam a bordo de submarinos, ele era totalmente desmontável, sendo que em apenas 45 minutos com treinamento era possível montar e desmontar as asas, flutuadores e seção de cauda, foram produzidos  144 exemplares…

O Modelo:

A minha representação do Yokosuka E14Y na escala 1/100 é praticamente um trabalho artesanal, pois o modelo é um scratchbuilding desenhado a mão e vetorizado no Corel Draw X4. Na verdade apenas as peças maiores foram vetorizadas. As menores foram construídas na unha. Usei nesse modelo uma série de técnicas não convencionais ao universo do papelmodelismo, mas que no geral, me agradaram bastante. Como reconhecimento, o modelo foi o destaque da semana e capa da comunidade papermodelers.com em setembro do ano passado.

O modelo representa o avião lançado pelo submarino I-25 para realizar um reconhecimento furtivo noturno sobre a baía de Pearl Harbor, horas antes do ataque japonês aquela base norte-americana.

Antologia da Aviação Naval – Vol 2 – Focke Wulf FW-58 Weihe

O segundo modelo apresentado na antologia, é um tanto quanto estranho, pois é um avião de base terrestre, que a Aviação Naval da Marinha do Brasil (AN-MB) utilizou nos anos anteriores a II Guerra Mundial (1939-1945), como avião de treinamento avançado e patrulha marítima. Falamos do Focke Wulf FW 58 Weihe.

O Avião:

Este pequeno bimotor era chamado pelos alemães de “Leukoplast Bomber” (Bombardeiro de Esparadrapo), por causa de sua frágil aparência por ter uma construção mista de madeira, tela e metal. No entanto o FW 58 (um dos primeiros projetos do afamado Kurt Tank, criador do caça FW-190) foi uma versátil máquina utilitária que prestou durante a II Guerra grandes serviços a aviação do Eixo nas mais variadas funções que iam de ataque a partisans, a controle de pragas.

A história do FW 58 na Marinha começou em meados dos anos 30, quando a AN MB sentiu a necessidade de renovar a sua frota, extremamente heterogênea e composta por tipos inadequados ou obsoletos. Inicialmente a Marinha voltou-se a industria aeronáutica norte-americana, especializada em longa data em aviões navais, porém a Marinha tinha planos mais ambiciosos do que simplesmente comprar os aviões, ela queria os fabricar aqui.

As negociações nos EUA não avançaram, e isso praticamente jogou a Marinha Brasileira nas mãos dos Alemães. Naquele tempo a Alemanha Nazista necessitava de apoio internacional e tinha grande interesse em manter e estreitar as relações com a América do Sul, que naquele tempo tinha um cadinho de governos populistas e totalitários de extrema direita. O Brasil com a ditadura Vargas não era diferente. Assim após tratativas com a FW ficou estabelecida uma parceria onde a Marinha construiria uma Fábrica com todas as obras civis relacionadas (a Famosa Fábrica do Galeão) e a FW entraria com a matrizaria, treinaria e formaria técnicos especializados e daria Feedback necessário para a produção.

Ficou acertado que seria produzido no Brasil os seguintes modelos: FW-44 e 56 de treinamento, o FW 58 de bombardeiro e treinamento avançado e finalmente o FW 200 Condor adaptado para patrulha!

Por uma série de razões apenas o FW 44 e 58 foram produzidos aqui, entre essas a percepção que a Marinha teve que a Guerra seria mundial, e por conta disso acelerou os planos de produção pulando a produção do FW 56 e iniciando a do FW 58.

As máquinas brasileiras, foram usadas de 1940 à 1952 inicialmente pela AN-MB e posteriormente pela FAB na função de patrulha ASW, nos anos da guerra e depois desta nas funções de aerofotogametria e transporte leve. Os Weihe produzidos localmente eram conhecidos como Galeão D2FW.

O Modelo:

O meu modelo do Focke Wulf FW 58 representa justamente umas das máquinas da AN-MB operadas entre 1940 e 1941, dentro do primeiro lote montado aqui, as cores extremamente vistosas copiavam os esquemas de cores da Marinha Norte-Americana, dos anos do Pré-Guerra.

O modelo foi desenhado pelo  Carlos Liberato, apesar de simples é muito bonito e com belas texturas, capturando literalmente todos os detalhes do modelo, apesar de existirem algumas dificuldades de encaixe e não ter instruções é mais ou menos auto-intuitivo.

Este modelo estava disponível no site FAB in Paper, mas atualmente o site não mantém os arquivos disponíveis. Já questionei o designer sobre a permissão de distribuir os modelos dele (ele tem outros aviões utilizados pela nossa Aviação Militar) mas nunca obtive retorno, então por favor sem comentários solicitando o modelo, pois não será disponibilizado de forma alguma.

Antologia da Aviação Naval Vol 1 – Brewster SB2A Bucanner

O primeiro volume desse nosso SIG (Special Interest Group – Grupo de Interesse Pessoal) de um homem só ;), é uma aeronave das mais obscuras utilizadas pela US Navy (a Marinha Norte Americana) durante os anos da II Guerra Mundial (1919 – 1939).

O Avião:

Falo do Brewster SB2A Bucanner, um bombardeiro de mergulho embarcado produzido pela Companhia Brewster.

A Brewster ficou famosa por causa da sua contra-parte em forma de caça o F2A Bufallo, que foi o primeiro monoplano de caça moderno da Navy, e que lutou com distinção junto a Força Aérea Finlandesa contra os russos. (Apesar deste avião ter sido um fracasso junto aos aliados ocidentais, no PTO (Pacific Theatre of Operations – Teatro de Operações do Pacífico) nos estágios iniciais da Guerra no Pacífico).

Assim esse tradicional fabricante de carros de luxo nos EUA, que se meteu a fabricar aviões na primeira metade da década de 30 ganhou para a surpresa de todos dois contratos: um para desenvolver o Bufallo e o outro para desenvolver um bombardeiro naval de mergulho que pudesse ser embarcado. Desse segundo requerimento, nasce o Brewster Sb2A.

O modelo tinha muitas características de design semelhantes ao F2A, embora fosse um avião grande para a época, maior que o TBD-1 e o SBD-3, contemporâneos.

Porém o fraco desempenho do SB2A fez com que a Marinha o relegasse para treinamento avançado de bombardeiro de mergulho. Menos efetivos ainda foram o Brewster Bermuda (Versão Britânica) repassados pela Lei de Empréstimo e Arrendamento (Lend Lease) para os Ingleses que os usaram para rebocar alvos e treinamento.

Um pouco mais de 700 SB2A foram produzidos de 1939 a 1941.

O Modelo:

O meu SB2A é um kit produzido pelo editor Fiddlers Green, tradicional “fabricante” de modelos de papel na forma digital. O modelo foi desenhado por Rob Carleen, veterano da USN que irônicamente trabalhou no restauro do SB2A real do Museu Naval de Pensacola. Apesar de ser um modelo simples originalmente na escala 1/60 (WSAM) ele por conta das texturas e da engenharia de montagem representa muito bem o avião (apesar de ter sido feito totalmente a mão sem programas 3D).

O modelo foi feito em um par de dias, e considero uma adição interessante para  a minha coleção de aeronaves da US Navy na escala 1/100.

Links interessantes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Brewster_SB2A_Buccaneer

http://www.aviastar.org/air/usa/brewster_buccaneer.php

Link para aquisição do Modelo:

http://www.fiddlersgreen.net/models/aircraft/Brewster-Buccaneer.html

Este modelo foi premiado no concurso Fiddlers Green Modelling Madness, promovido pelo site papermodelers.com na categoria Improved Stock.

Projeto Antologia da Aviação Naval na Escala 1/100

A brincadeira começou com o GB ainda  ocorrendo no Panzermodel, que vai até o final de maio com possível prorrogação em junho. Este GB é um GB sobre aviação naval, como tenho muita coisa impressa na 1/100 sobre o tema (desde aviões da I Guerra Mundial, até os caças modernos em uso pela US Navy) resolvi alternar as minhas montagens, entre um avião “terrestre” e um “naval”, por este mês, abril e maio ainda vou me centrar em fazer o que está comprometido com o GB, mas a posteriori não pretendo abandonar o tema. Não vou criar uma página específica aqui no blog a antologia será posta na área de postagem frontal com marcador e categoria específico. Irei postar na primeira parte da antologia algumas aeronaves já construídas da minha coleção 1/100 sobre o tema aviação naval, a idéia de cada conteúdo é história – modelo, eventualmente alguns modelos ainda a serem feitos terão um passo a passo quando eu achar interessante.

Até lá catrefa!!!