Solvalou, a Pequena Nave que Destruiu o Exército de Xevious

Como todos sabem, sou simplesmente louco pelos antigos jogos de nave que marcaram a minha infância e adolescência nos anos 80 e início dos 90. Para mim é um grande prazer, modelar as naves, dar vida “3D” as naves em duas dimensões que controlava com o joystick, ainda mais quando o processo de feitura é inteiramente artesanal.

A nave desse pequeno artigo, é um scratch feito exclusivamente em papel na escala 1/100 da pequena nave Solvalou, a nave do jogador no clássico e antológico jogo de nave Xevious. Esse jogo lançado pela Nancot no início da década de 80 originalmente para os arcades (fliperamas) e posteriormente portado para praticamente todas as plataformas dos anos 80 e início dos 90’s. Foi um dos primeiros jogos com dois tipos de tiro, renderização dos pixels (simulando metalização) e com variedades de inimigos, sendo considerado uma peça clássica, mesmo nos dias de hoje. (A Nancot explorou o game com versões 3D, isométricas e “rearranje” – modificadas ao longo dos últimos 20 anos).

O game foi desenhado em 1982/83 pelo grande mestre Masanabu Endoh, um dos grandes gamers designers da era pioneira. Além de ser um shooter realista para a época do seu lançamento, Xevious incorporava as primeiras rotinas de inteligência artificial num shooter, com alguns inimigos com padrões praticamente imprevisíveis de movimentação.

Eu travei contato com esse game ainda nos anos 80 acho que por volta de 1983 ou 84, tinha 12 anos, naquele tempo fliperama era coisa de marginal, ia jogar Xevious escondido da minha mãe, até que um dia ela me pegou na tampa (o fliperama era perto de casa) e me tirou de lá pelas orelhas, vergonheira total, afinal me achava um homenzinho rsrs.

Depois no tempo do MSX e do NES, no final dos anos 80 muito joguei esse game e os seus “spins offs” (Fardraut Saga – MSX e o Super Xevious – NES), além de nesse tempo ser um marmanjo e não ter  mais problemas com a véia Vera e os flipers :S .

Capa do Xevious Fardraut Saga - versão do MSX 2

Capa da versão para o NES 8 bits

Jogava no fliperama da Bruxa na Rua da Praia, nos Flipertronics, no Fliper do Chinês na Vigário José Inácio (Este é o ultimo fliperama de rua que sobrou em Porto Alegre), no Fliper da Siqueira, pelo menos uma ficha ia para o Xevious, nos flipers naquele tempo,  em geral dependendo dos dipswitches das máquinas conseguia passar da quinta base mãe, era  viciado pero no mucho.

Uma coisa legal que sempre curti nesse jogo é a analogia com um dos mais intrigantes mistérios arqueológicos do Mundo: as linhas de Nazca no planato desértico de mesmo nome no Peru. Para quem não sabe, são linhas traçadas no solo formando desenhos gigantescos que só podem ser vistos pelo ar. A arqueologia e a antropologia, colocam esses desenhos gigantescos (também chamados de geoglífos) como de motivo astronômico, astrológico e religioso.

Normalmente são atribuídos a civilização pré-colombiana de Nazca, também chamada de Cultura de Nazca, apesar de elas serem facilmente executáveis (vários desses desenhos foram reproduzidos com técnicas e ferramental simples por antropólogos na busca por uma solução em relação ao seu propósito) não faltou gente a dizer que elas eram provenientes de uma supercivilização anterior, ou então de origem extra-terrestre, apesar de as linhas terem “apenas” mais ou menos  1000 anos.  O fato é que essas marcas aparecem no jogo, uma das mais famosas figuras de Nazca: um beija-flor estilizado aparece no background o junto com outras figuras desse tipo…

Um outro fato interessante é que muitos desenhos de naves dos inimigos, são “parecidos” com naves de diversos filmes da época, Galactica (Dá uma olhada se a Basestar dos Cylons não é a cara da nave mãe no jogo?) e outras naves menores como o X Wing do Star Wars…

O jogo tem um enredo de fundo, bem clichezão de ficção científica, para os interessados recomendo o Strategy Wiki do jogo, que tem a história na integra e pode ser acessado aqui.

Mas vamos falar um pouco do scratch agora?

Esse modelo na escala 1/100 foi construído em 2009 usando como material base, exclusivamente papel, Canson branco na gramatura 140G e papel Vivaldi 180G (colorido na polpa) na cor cinza claro para revestimento e conformação de peças, para a esturutra interna das asas foi usado papel cartão tipo Kraft na gramatura 300G.

Como a Solvalou tem ângulos retos, foi relativamente simples construir as formas através de dobraduras. Aproveitei a própria cor do papel como base (já que a nave é branca ou cinza claro), apenas os detalhes foram pintados com tinta acrílica (marcas Corfix e Acrilex), para os motores e canhão foi utilizado o papel Vivaldi já mencionado, e as linhas de painel foram pintadas com caneta nanking ou fine liner da Staedler.

A base foi feita usando uma cena do game que representa justamente um dos geoglifos de Nazca: o beija-flor, e a haste foi feita com madeira balsa.

Para compor a nave utilizei como referências cenas da entrada do jogo Xevious 3DG para o Playstation 1, cenas do port do MSX: Xevious The Fardrault Saga (que inclusive tem as dimensões da nave, que utilizei nos cálculos da escala) e diversas fontes na internet.

Gostei do resultado final, esse modelo me traz boas lembranças dos anos 80. Até a próxima…

10 Responses to Solvalou, a Pequena Nave que Destruiu o Exército de Xevious

  1. JOCA diz:

    Insert Coin, pra gurizada, o que é isso tio?

  2. andré diz:

    >>> Engraçado comigo aconteceu muito parecido com vc, devo ter idade semelhante a sua, é como dar uma volta ao tempo. Uma vez meus pais me pagaram uma mesada extra, pra que? kkkkkkkkkkkk… No outro dia cheguei no fliperama e comprei tudo de ficha enchi meus dois bolsos. Até hoje não entendo como consegui jogar praticamente sem parar até as 5 da tarde saí tonto do fliperama, fui dormir ouvindo o som do jogo, e por incrível que pareça não enjoei não, apesar de ter ouvido a maior bronca dos meus pais, que chegaram até a cortar a mesada no mês seguinte, sempre que podia dava aquela fugidinha, era viciado rs rs rs … bons tempos aqueles que não voltam mais.

    • Peres diz:

      Antigamente os fliperamas eram vistos como antros, por isso os pais tinham tanto medo de deixar os filhos jogarem. Quando mudei o meu MSX para 2.0 descontei um pouco essa frustração no caso do Xevious, mas emfim, acho que esse era um sentimento da nossa geração…

  3. andré diz:

    você teria como me ajudar, estou tentando baixar esse jogo pro meu pc, mais só consigo on line, será q vc saberia de algum link que baixe o jogo completo pro meu pc? abraços!

  4. Peres, amigão, muito bom o modelo, você faz de outros jogos, como RAIDEN, GALAGA, BATSUGUN? A única coisa que você errou foi o pássaro do geóglifo, o que aparece no jogo não é o beija-flor, é o condor. E mesmo o beija-flor, no geóglifo real, é chamado de colibri. Mas não esquente, isso não tira o brilho de sua postagem, hehehe! Vou colocar um link para esse post no meu blog, o GAME ARTE. Valeu!
    Quanto a baixar o jogo, quem quiser a versão para playstation, que tem um monte de versões num cd só, vá no site http://www.romulation.net, cadastre-se e baixe na boa. Lá também tem as versões para MAME, MSX, NES e ATARI.

    • Peres diz:

      Obrigado, fique a vontade de replicar o artigo no seu blog. Quanto as outras naves, a do jogo Gálaga já foi feita na escala 1/144, mas ainda não escrevi um artigo a respeito. O tema é infinito do ponto de vista do modelismo, estou fazendo agora a nave do Zanac, quero ver se até abril ela está pronta. Quanto as outras pelo menos a do Raiden está no horizonte…

  5. Para modelar a RAIDEN MK, MKII, MKIII, TRAD e DX, sugiro você tomar por base as primeiras versões do caça F-16, tenho quase certeza de que usaram aquele avião como inspiração para criar a nave do jogo, que, de longe, é um dos melhores jogos do gênero “shmup”. Pode verificar, RAIDEN e GRADIUS são F-16! KKKKKKK! Aqui vai o link para o GAME ARTE: http://www.gamearte.blogspot.com e aqui vai um jogo no qual estou trabalhando: http://www.samyragames.freehostia.com/shooter/aviao4.swf

    Até a próxima!

    • Peres diz:

      Olá mas lamento, discordo de ti.

      O Canopy do F-16 até pode ter sido utilizado como base para o desenho da nave do Gradius II (Vik Vipper T-301), mas de resto não há nada semelhante. Inclusive os modelistas quando vão fazer scratchs da nave do Gradius usam o canopy do F-16 e o resto é feito em cima do modelo caça a jato Saab Drakken. Porém existe uma versão do F-16 que realmente parece-se com uma nave da série, é a versão XL que lembra muito a Lord British (A nave do segundo jogador no Salamander dos Arcades).

      Quanto a nave do Raiden, acho ela um design próprio bem típicamente japonês, não consigo ver nada do F-16 nela.

      Até a próxima.

  6. Sude diz:

    Es una pagina que nmelaerte vale la pena, pues el papercraft es uno de mis pasatiempos favoritos y considero que es una actividad que merece ser difundida para toda persona, y gracias a Construyamos maquetas en papel cumple de muy buena manera a lograrlo.

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