FIAT CR-42 – O Superdesenvolvimento do Biplano de Caça

Nossa primeira reportagem especial da série maquinas-história-modelismo, trata de um avião clássico da II Guerra Mundial e um dos últimos caças biplanos a operarem na linha de frente. O FIAT Cr 42 Falco.

Na segunda metade da década de 30, no campo da tecnologia da aviação, houve um salto considerável com a utilização cada vez mais crescente do metal na forma de ligas leves, melhores sistemas de combustível, cowlings tipo NACA, hélices de passo variável, motores radiais e em linha cada vez mais potentes.

Fiat CR-42 Falco da Força Aérea Sueca, preservado em museu. Trata-se de um dos exemplares mais bem preservados no Mundo tudo.

No entanto de todos esses avanços, o que mais chama a atenção é o abandono da utilização do biplano de cockpit aberto de estrutura de madeira e metal e revestido de tela em detrenimento ao monoplano de revestimento metálico trabalhante.

Na aviação civil já no começo da década de 30 estavam se criando aeronaves modernas para o serviço de carga e passageiros, notadamente nos EUA, (Vultee V-1, Boeing Monomail, Lockheed Vega) no campo militar diversas nações já estavam usando aviões de combate monoplanos.

Um FIAT CR 42 das séries inicias nas cores da Regia Aeronautica

A Guerra Civil Espanhola (1936-39) marcou um dos cantos dos cisnes em relação ao uso do biplano de caça. Poucas nações insistiram em desenvolver aeronaves militares nessa configuração. Notadamente dois países participantes deste conflito: a Itália e a URSS ainda acreditaram no conceito as vésperas de irromper a II Guerra Mundial.

Falando agora do assunto do meu modelo, o FIAT CR-42 Falco é o ápice de uma concepção que no final dos anos 30 já se encontrava obsoleta. O Falco de fato no dia em que fez o seu primeiro vôo já estava ultrapassado e condenado ao fracasso nos combates aéreos.

Par de CR 42 em vôo no deserto da África Setentrionale Italiana

O que o meu leitor deve estar se perguntando nesse instante é: “mas então por que  insistiram nesse  projeto???”  Apesar da Itália nas décadas de 20 e 30 ter sido uma das líderes no desenvolvimento aeronáutico e nos conflitos em que se meteu na década de 30 (A invasão da Etiópia e a Guerra Civil Espanhola) seus aviadores e máquinas militares terem tido destacado desempenho, a Regia Aeronautica tinha concepções e táticas obsoletas, presas a conceitos criados durante a I Guerra Mundial. Conceitos que a moderna guerra aérea trataria de sepultar, como manobrabilidade a qualquer custo, em detrimento a potência de motor e pesado armamento.

Preciosa foto colorida do tempo da guerra, mostrando um CR-42 baesado no teatro de operações do Mediterrâneo, possivelmente na Albânia.

Em 1936 com as nuvens negras da guerra se aproximando, a Regia Aeronáutica solicitou as empresas FIAT (sim a mesma fábrica dos nossos Pálios, Unos, Idea) e Caproni a construção de dois “avançados” caças biplanos que ao final de uma concorrência entre os  protótipos um seria escolhido para operar em conjunto e depois suplantar os FIAT CR 32 no Exército do Ar Italiano.

O engenheiro chefe da FIAT – Celestino Rosatelli, que desde 1918 desenhava caças projetou para esta competição o FIAT CR 41, dono de um belo perfil, mas com uma característica díspar de outros projetos de Rosatelli: o uso de um grande motor radial.

Este modelo venceu a competição contra o modelo Caproni e a Regia Aeronautica concedeu o contrato de produção a FIAT que colocou em produção uma variante aperfeiçoada chamada CR-42. As entregas para as esquadrilhas começaram em maio de  1939 sendo o 53º stormo a primeira esquadrilha da RA a operar o tipo.

Outro exemplar do CR 42 preservado em museu, dessa vez no RAF Museum em Hendon. Os italianos deram um tom de opereta a fase final da Batalha da Inglaterra, quando enviaram os seus BR-20 escoltados por caças CR42 e G50 para bombardear as docas em Londres, este Falco caiu praticamente intacto na costa de Dover e capturado passou depois da guerra a fazer parte do acervo do museu.

Apesar da obsolência de nascença, o Falco teve uma grande produção (ele e o Polikarpov I-153 foram os ultimos biplanos de caça a serem produzidos no mundo) e foi exportado para a Bélgica, Hungria e Suéçia.

Apesar de serem altamente manobráveis e uma delícia de serem pilotados, quando a Itália entrou na guerra, os Falco se mostraram uma verdadeira decepção em dogfight, os Hurricane, e até mesmo Gladiators da RAF davam de relho no “Falcão”, na primeira fase do cerco a Malta e posteriormente na Batalha da Inglaterra, os Hurricane simplesmente destroçavam os pobres italianos com as suas oito Brownings 12,7mm.

Os Belgas usaram os seus Falcos entregues em 1939 contra a Luftwaffe durante a primeira fase da Batalha da França, mas pouco ou quase nada poderam fazer, apesar de nos poucos dias de luta antes da Bélgica cair os Falco de sua força aérea derrubaram dois Me-109, três Do-17 e quatro He-111.

O local onde os CR-42 tiveram algum êxito, foi na Africa Meridional Italiana (atual Líbia, uma parte do Egito e a Eritréia), onde as rudes condições do deserto, mais o uso pela RAF de aeronaves de desempenho equivalente (notadamente o biplano Gloster Gladiator), fizeram o Falcão ter um efemero domínio dos céus.

Os italianos implementando tipos melhores na linha de frente (Machi MC-200, Fiat G-50 e seus derivados) começaram a desenvolver outras variantes especializadas do CR-42 entre as mais notáveis são a AS (Africa Settentrionale) de ataque ao solo e apoio tático, a CN de caça noturna com escapes anulares e radar equipado em casulo (!!!!) e a Lw (de Luftwaffe), variante especialmente construída para operar contra partisans, em 1944 (quando da capitulação da Itália, o norte industrial Italiano ficou sob controle dos alemães que continuaram a produzir armamento italiano para reforçar a sua força aérea e exército).

Muitas outras variantes foram produzidas como a de treinamento com dois cockpits, de longo alcance com tanques extras e muitas experimentais como a DB que tinha uma instalação do possante motor Daimler-Benz 601 no nariz do CR-42 o transformando no mais rápido caça biplano já construído.

Como caça o CR 42 foi utilizado pela RA até 1943. Mas descrever as outras variantes em pormenores já é outra história para uma outra ocasião…

Três vistas do CR-42

DADOS TÉCNICOS

Tripulação: 1
Comprimento: 8.25 m
Envergadura: asa superior: 9.70 m, asa inferior: 6.50 m
Altura: 3.06 m
Área alar: 22.4 m²
Peso vazio: 1.782 kg
Peso cheio: 2.295 kg
Motor: 1× Fiat A.74 RIC38 de 840 hp (627 kW)
Velocidade máxima: 441 km/h
Alcance: 780 km
Teto operacional: 10.210 m
Armamento: 2× metralhadoras Breda SAFAT de 12,7 mm, 2x bombas (200 kg)

O Modelinho:

A Camuflagem de deserto em padrão desruptivo é evidente.

O Fiat CR 42 é um modelo que na minha humilde opinião não pode faltar numa coleção de aviões clássicos da II guerra mundial, para mim ele é o supra-sumo do primeiro conceito de avião de combate, desenvolvido durante a I Guerra Mundial.

Meu modelo foi desenvolvido pelo Senhor Prudenziatti, originalmente na escala 1/72, é um modelo simples sem formers internos para moldar a fuselagem e as asas.

Apesar disso é um modelo muito bonito em termos de textura e com ótima engenharia de montagem, pois mesmo com peças simples fica literalmente a cara do avião. (E detalhe o designer original o projetou sem a ajudar de programas de computador para modelagem 3D).

O modelo foi rápido de montar, a única falta é a omissão de um cockpit, o que em biplanos é uma caracteristica desfavorável.

Este modelo é comercial, embora  ele não esteja mais disponível para venda a página do designer ainda existe, dêem uma olhada : prudenziatti

O meu modelo representa uma das aeronaves da Regia Aeronáutica em ação na Tripolitânia em 1941, contra a RAF, na época em que esse caça ainda tinha chances de enfrentar os aviões dos ingleses.

Outras Fotos:

Bibliografia:

FIAT CR 32/42 In action

Apostolo, Giorgio. Fiat CR 42, Ali e Colori 1

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